segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PINA

Imagine uma segunda-feira, simples como todas as outras.
Até surgir uma dança...



Pina & Wim para salvar minha semana.

domingo, 23 de janeiro de 2011

OS FILMES COMO SIMPLESMENTE SÃO.

Estou livre.
Morrer um pouco é bom demais.

Ano novo, possibilidades novas. E a melhor delas: matar o “fazedor de imagem” e assumir o “empregado das letras”... Divertidíssima e inusitada curva do destino.

Com isso, libertei os filmes. Sim, o cinema não mais será uma tarefa de casa. Agora é só prazer. Muito prazer cinema, de novo... Muito prazer.

Pouco importa se a luz está correta ou não; se a edição é cadenciada, esperta ou equivocada; muito menos se os diretores são imbecis ou gênios.
Finalmente, com liberdade, poderei ver filmes simplesmente como são.

...Espero não cometer o mesmo erro com os autores e seus livros.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

PEQUENA FESTA PARA UM RETORNO INCERTO.

Depois de muitas pedras, paus, lagartos e aranhas, de um ano difícil de seguir... Estou de volta.

Sei que chega a ser ridículo este anuncio. O salão vazio, o eco e os balões murchos mostram que ninguém esperava por isso. Nem mesmo eu. Na verdade este salão nunca esteve cheio, não devemos esquecer da vocação marginal deste diário eletrônico.

Ir à Escandinávia, mudar de casa, vencer um câncer, conhecer o budismo... Uma volta longa e lenta que ao terminar, eu olho e vejo que estou aqui, do mesmo jeito de antes, lógico, com alguns arranhões, algumas pequenas glórias. Mas sou eu, aqui, sem muito o quê dizer, sem muito pra comemorar.

Apenas uma coceira... Um pigarro... Uma simples vontade de escrever.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O REGRESSO.


Este final de semana tive a honra de ver, num esquema “Premier”, o documetário-filme-curta do meu amigo Cassio Bomfim...
Filme de gente grande. Narrativa simples e clássica.
Com uma temática tão próxima, tão cotidiana, que se torna quase invisível, imperceptível.
Uma história que com certeza está acontecendo agora, aqui do nosso lado... E ninguém vê, ou não quer ver...
Parabéns meu amigo, pela sensibilidade de falar um pouco de nós...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

domingo, 10 de janeiro de 2010

SOMOS FEITOS DA MESMA MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS SONHOS...

Shakespeare


Ando sonhando demais...
Comecei o ano escrevendo (espero seguir assim!), e até o final do mês entrego três projetos.
Curiosamente (ou ausência criativa) com um tema em comum: sonhos.

Sonho de índio, numa cidade sem sonhos

Este sonho eu sonhei

Num sonho ela me disse “... e pra você: Amor-Perfeito”


Nada como um pouco de sonho, para lembrarmos do que somos feitos...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O SILÊNCIO QUE AS PEQUENAS COISINHAS QUE AMAMOS NOS TRAZEM.




- “shiiii! Silêncio, o menino está dormindo...”
Em 2006, logo no comecinho, um menino com pouco mais de 3 quilos entrou na minha casa.
Tomou todo nosso tempo, espaço e amor. Ele pedia conforto, paz e silêncio.
8 horas da noite, luz difusa, cheirinho de banho e um silêncio de circo no instante em que o trapezista atravessa, sobre uma corda bamba, um vale de facas afiadas apontadas para o céu.
Falar só se fosse baixo “moderato”, andar, com leveza, como plumas.
8 horas e 15 minutos, luz difusa, cheirinho de banho e o silêncio... Na sala, Silêncio... Nos quartos, silêncio... Na vida, silêncio... Musiquinha? Hum? Só se for inaudível. TV? Melhor não, na novela sempre tem alguém exaltado com o vilão, e grita, e chora. Filme, será? Bem, sempre tem um carro que explode, uma música triunfante, melhor deixar pra lá. Ao som dos grilos, pude então observar com mais atenção coisas que já não dava a menor atenção...
Na estante, livros que pediam para serem lidos. No computador, projetos e textos para serem elaborados... E o melhor, tudo o que não tinha, me sobrava neste instante... Silêncio, paz e conforto.
Não posso negar que ganhei uma cara de sono atrasado, coisa típica de quem é pai, um cansaço insuperável, mas com muitos projetos e realizações eminentes.
Aos 32 anos me casei, aos 32 anos me tornei pai, aos 32 anos ganhei novas perspectivas....Obrigado, pelo silêncio...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

PARAÍSO PERDIDO...


"Quando me encontrava em minha causa primeira, não tinha Deus...; apenas gostava de mim mesmo e de nada mais; era o que eu amava, e amava o que era, e estava livre de Deus e de todas as coisas... Por isso, suplicamos a Deus que nos livre de Deus, e que alcancemos a verdade e a gozemos eternamente, ali onde os anjos supremos, a mosca e a alma são semelhantes, ali onde eu estava e onde amava aquilo que era e era isso que amava..."
Meister Eckart, sermão Beati Pauperes Spiritu.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A DISPLICÊNCIA COM UM MARGINAL.


Triste ver este blog assim, desamparado e sem cuidados.
Escrever com uma certa periodicidade, eu imaginava ser possível e fácil, quando comecei este, hoje abandonado e ironicamente “marginalizado”, blog.
Entre minhas promessas de início de ano, que vão de parar com alimentos gordos à organizar melhor meu tempo. Incluirei esta que deve ser das mais dignas promessas de um imoral: reabilitar um marginal.
Sou fraco, já aviso. Talvez minha gula e minha preguiça me dificultarão, mas com fé e sorte acredito poder por este imoral e marginal seguindo o caminho... Errado.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

HISTÓRIAS DE CANALHAS E COVARDES.


Hoje, depois de muitos ensaios, iniciei um projeto para quadrinhos: “Tino Belmondo”.
Um “romance” ruim, que vai de mal a pior, um Sidney Sheldon às avessas (isso pode ser bom!).
Com deficiência de caráter e muito mau-gosto, Tino, sujeito bem posicionado e respeitado na comunidade internacional, se aventura em paraísos como Bangu, Guarulhos, Brasília Teimosa, Tocantins e Osasco, sem perder o charme... Claro!
O glamour de uma periferia que não existe mais...

CONVERSAS IMPROVÁVEIS 1.

...Com Julio Cortázar, concluímos:
“O problema é esta história de futuro... O futuro estragou tudo. O 'agora' ficou pra depois...”
Rimos muito.


Esta foto foi feita pela Alessandra Fratus enquanto ensaiávamos o texto “ Anúncio” de Richard C. Haber para o Teatro Para Alguém . Tive a honra de dirigir pessoas maravilhosas como: Antônio Petrin, Miriam Mehler, Heitor Goldflus e Lulu Pavarin.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O APAGÃO E OS PÉS DESCALÇOS.


Um sonho.
Minhas mãos enroscadas num emaranhado de cabos e fios elétricos descascados. Muito medo e aflição. No instante seguinte percebo meus pés descalços e me vejo vestido num belo e elegante terno preto... Tudo isso fazendo parte de uma sequência interminável de meses de pesadelos.
Acordo. “Morri? Será que eu morri?”
Com certeza não. Quer dizer, convicção que mantive até me deparar com questões de ordem “elétrica”. Por diversas vezes nesta semana tive de enfrentar algum problema “elétrico”- de chuveiro queimado à desplugar o computador- tudo numa ordem completamente incomum à minha rotina (não sou da turminha da caixa de ferramentas, que sempre se mostra disposta à arrumar, consertar, prestar serviços domésticos com prontidão, assim que a dona da casa solicita). Nesta semana quando me aproximava de uma tomada logo vinha o pensamento “chegou a hora”, ou melhor, “chegou a ‘minha’ hora”. Cabo puxado, aparelho desligado “ufa, ainda não!”
Um dia, veio o apagão. Não, não estou interessado se o do Lula foi maior, pior, mais bonitinho do que do FHC. O Fato é que meu sonho: cabos descascados, eu vestido de defunto e um país sem energia, criam uma proximidade macabra.
A TV se apaga... As luzes, de maneira sofrida, tentam se apagar... ”É agora, fudeu!”
Velas acesas pela casa toda, sombra amarelada, bonita. Todos resolvem dormir. E eu ali no meio da sala, esperando, esperando... E... Muito sono, sono pesado... Sonhos lindos, coloridos, jardins, lagos, tudo muito prazeroso...
Sim, eu morri! Algo ficou pra trás, morto, velho e enterrado de terno bonito.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

DESCONSTRUÇÃO: A ANTI-AUTO-AJUDA.

Após alguns “posts” amargurando e pelejando com a vida, resolvi subir o árduo morro da rotina com uma pedra.
Como as coisas não andavam tão doces, como um dia eu sonhei... Achei melhor desconstruir...
Simples assim. Recomendo. Não gostou, desconstrua!...
Nada como um ensaio cabeçudo de “Camus” pra ajudar a desmoronar tudo o que se teve um dia como convicto...
É divertido, dependendo do tamanho da pedra, nem cansa...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

PEQUENO CONTO DE NATAL ÀS AVESSAS, FEITO ESPECIALMENTE PARA OUTUBRO, NUM DIA EM QUE SE ACORDA SEM PERSPECTIVAS.



- “Seu frouxo!”
Assim começou o seu dia. Ainda de pijama no sofá, os olhos embaçados, gosto horrível na boca e o cheiro de alguns maços de cigarro nos dedos.
O estrondo da batida na porta foi tão forte quanto à última palavra que ela pronunciou. “... Frouxo!...”
“Mas que diabos ela falou antes?” O “frouxo” não era surpresa. Como estava dormindo só ouviu o final da frase. “Pô, frouxo. Frouxo ela sempre me chama”.
Aí estava um enigma para seu dia, um mistério, uma senha: “Alguma coisa... Seu frouxo!”
Ficou sentado ali mesmo, lembrando da saia dela passando pelo seu nariz enquanto ela gritava. Ela saiu, bateu a porta. Deixou apenas o cheiro de banho e perfume na casa.
Enquanto se distraía tentando tirar as migalhas de “Cheetos” no vão do sofá, o enigma tomava conta de todos os seus pensamentos.
Levantou-se. Andou pela casa. Abriu a janela. Olhou o dia.
– “Caralho, frouxo por quê?”
Sentou na cama que só estava desarrumada de um lado. Cheirou o travesseiro, passou a mão nas dobras do lençol, olhou para o terço na cabeceira e veio em sua mente uma pequena luz.
“Ela não me chama de frouxo. Isso! Ela me chama de ‘mole’!”
“Você é mole mesmo!” Lembrou da voz arrastada e carregada de desprezo pelo “mole”.
Enquanto tirava seu pijama pensou: – “Taí... Frouxo é a primeira vez.”

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

UM DIA EU ACORDEI...

Mais um início.
Nesta semana comecei um projeto único. Simples, sem maquiagem, seco.
Comecei documentar a mudança de um grupo de pessoas. Uma mudança causada por uma doença, um câncer. Estas pessoas, minha família.
Ainda não sei o que dizer sobre isso, quem sabe quando tudo isso terminar...
Mas com muita doçura , a Patinha, fala muito bem: um dia eu acordei com câncer.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

THAT ISN’T WRITING; IT’S TYPEWRITING...

Truman Capote se refere desta maneira ao texto de Jack Kerouac –“Isto não é literatura; é datilografia”.

Lendo Kerouac, me lembrei de amigos e tempos vagabundos...
Abaixo um pouco de “datilografia”... E música...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O DIÁRIO DE MUTARELLI...

Falando em publicação... No mês de agosto , saiu o diário do Lourenço na revista Piauí.
E como as gravações de Corpo Estranho faziam parte da sua rotina naquele momento, fomos contemplados com um desenho... Como ele mesmo colocou: “Nos divertimos feito crianças”.

PELO TELEFONE...


Bom... Continuando minha saga de micos, confusões ideológicas, explanações sem sentido, e muito blá, blá, blá sem pé nem cabeça... Mais uma vez dei uma entrevista (“Ai meu deus!”). Prometi que não iria fazer isso de novo, não é mesmo?... Mas... Fiz.
A Luciana, a querida e eficiente assessora do Teatro Para Alguém (Lú, eu não sei o seu sobrenome!), de maneira muito competente está correndo atrás. Neste trabalho de formiguinha, ela já colocou nosso projeto em todos os locais possíveis e impossíveis de se imaginar. TV, rádio, jornal, internet, folhetinho de quermesse, está lá “Teatro Para Alguém”...
Lógico que ela precisa de gente para explicar tudo isso e pôr a cara à tapa. Bom, a cara da Renata Jesion, já está calejada. Esperta, já sabe o caminho das pedras, e de maneira ligeira explica tudo direitinho, com charme, leveza e clareza. Eis que surge o diretor ogro (eu!), gesticulando como se estivesse nadando, gaguejando, atropelando o entrevistador. Vejo nitidamente no rosto do meu interlocutor a expressão: “o que este cara está falando?”; de imediato o entrevistador já responde: “Ah! Tá! Ahã!”...
Mas tudo mudou! Minha salvação veio pelo telefone!
Dia desses tive minha primeira experiência de entrevista pelo telefone para o jornal Destak (aquele de rua, do sinal fechado, sabe?). Foi ótimo, essa coisa de não ver a pessoa que você fala deve ajudar. É mais ou menos a mecânica da psicanálise, não tem interferência de julgamento do outro. Você fala e foda-se.
Esta matéria deve sair em alguma terça ou quinta, para casar com os dias da miniemsérie. E assim, a partir de hoje, no farol vermelho, minha redenção estará publicada...

CORPO "MUITO" ESTRANHO


Hoje às 22 horas, tem o quarto episódio de Corpo Estranho no Teatro Para Alguém.
E de quebra, você assiste o genial José Mojica Marins. Vai assistir, ou tá com medo?

domingo, 16 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

PORTRAIT: DOMINGO, DIA DOS PAIS.




Há uma linha tênue, de proximidade e distância entre as pessoas.

Enquanto preparava o “Portrait” de meu avô, tinha cada vez mais a sensação de que estava escrevendo sobre uma pessoa que não conhecia. Com vínculo sanguíneo evidente, nossos rostos se assemelham, nossos gestos se assemelham, mas nossas vidas... Não.
Um “Portrait” de origem distante, uma ancestralidade quase secular. Mas não, era logo ali. Um retrato de uma hereditariedade muito, muito próxima.

Neste último final de semana, após uma luta de quase dois meses em um hospital, meu avô morreu.
Um dia de pais, ensolarado, com um ruído surdo e incômodo. Meu avô velado e enterrado de maneira simples, num domingo, como outro qualquer.

Mas esta data – Dia dos Pais – era quase irônica pra este momento. Uma data inconveniente pra se enterrar o avô, que o conheço por conversas curtas e banais, que o conheço por torcemos pelo mesmo time, que o conheço por alguns poucos telefonemas nos natais, que o conheço por ser pai, ser pai de meu pai, ser meu avô, bisavô de meu filho...
Uma relação simples, que me esforcei pouco para melhor. Enterrada, no domingo...

PRIMEIRA LEITURA.

Como hoje estreia a segunda temporada de Corpo Estranho, resolvi colocar algumas fotos de quando tudo começou.














*fotos Alessandra Fratus

terça-feira, 21 de julho de 2009

PARA UMA RESSACA: PORTRAIT.


Duas semanas atrás terminaram as gravações de Corpo Estranho, ufa!
Maratona concluída... E agora?
Agora, só uma ressaca emocional. Depois do final de semana derradeiro com Peréio, Mojica, Bortolloto e Mutarelli; Tudo é silencio.
Ando até um pouco desanimado, vendo como a vida é simples.
Apesar de ter uma longa jornada de edição pela frente, iniciei um novo projeto que há muito tempo está pedindo para ser feito: Portrait.
Um retrato de quem está próximo. Assim, simples, quase infantil.
Não, não uso maquina fotográfica, nem nada parecido. Um retrato descrito, um instante, só isso...
Ainda está no começo, tudo está sem forma, desfocado... Deve ser a ressaca!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A JANELA DA INTERNET...

Foi ao ar a matéria que o "Metrópolis" fez com a gente, do teatro para alguém.
Ficou ótimo, do tamanho e conceito certos, nem mais nem menos...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

TRAILER.

Corpo estranho...
Entraremos na terceira semana de gravação, ufa!
Já está na rede o novo Trailer.
Divirta-se...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

METRÓPOLIS - MAIS UM SHOW DA MINHA INABILIDADE.




Não sei ao certo se hoje ou amanhã, mas sei que vai passar uma reportagem que o Metrópolis (TV Cultura) fez com o Teatro para Alguém.
Mas uma vez dei uma entrevista sem pé nem cabeça (definitivamente devo parar com isso!). Mas a Renata, que já é escolada em entrevistas, fala e fala muito bem sobre o projeto (ufa! Livrando minha incompetência diante das câmeras, mediada por um entrevistador).
Se lembrarem, o Metrópolis começa às 21h40min. Talvez hoje, talvez amanhã.
Assistam, com sorte terei sido cortado da edição...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

ESTA NOITE ENCARNAREI NO CORPO ESTRANHO... COM MUITO PRAZER!


Você, você e todos “você”...
Começaram as gravações de “Corpo Estranho”.
Apesar da minha “estréia” no teatro para alguém não ter sido das mais fáceis, ontem tive o privilégio de dirigir José Mojica e Lourenço Mutarelli para nova temporada.

Fazia tempo que não tinha tanto prazer em fazer o que eu faço. Nos divertimos muito.
O Mojica estabeleceu a pulsação, o ritmo, a respiração das cenas. O Lourenço, além de ser o autor do texto, como ator se dispõe de maneira generosa e “dirigível” sem pudores tolos...

Sinceramente, ainda não sei do resultado final. Mas com certeza, se a vida seguir assim, será divertido...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A PACIÊNCIA DO DIABO.


Pois é! A Arte, o teatro...
Bom, esta última semana foi a mais confusa, estressante e conflitante dos últimos tempos...
Fazer arte definitivamente não é fácil. E não digo pelo dinheiro, que é óbvia a sua escassez. Mas pela cultura do questionamento.
Me lembro de quando era jovem e acreditava poder ser ator (apesar de minha mediocridade), eu me cansava muito com todos os questionamentos que eu passava.
Era um inferno! Eu sofria, sofria de mais. Pra tudo eu tinha uma pergunta, e quase sempre, um nada, um vazio como resposta. Me perguntava: Por que este ódio? Por que eu franzo a testa? Por que eu gosto do Fellini? Por que, quando estou no dentista balanço a perna compulsivamente? Por que eu gosto de chá de hortelã? - na época gostava de chá, e de hortelã. Como a gente muda!
De repente desisti de mim. Desisti de querer saber tudo. Daí, desisti do teatro, da arrrte e do diabo...
Mas o diabo sempre está à espera.
Meu distanciamento como diretor de áudio-visual me deu um sossego de um cidadão comum que toma chá ou café sem muito pesar. Que gosta de futebol, xinga o juiz e é completamente contra a estupidez no trânsito, com um cinismo elegante de classe média (dentre outras incoerências jogadas nos porões da mente)...

Mas não. Não bastava a simplicidade da vida média.
Voltei para o meu inferno. Questionado e esmiuçado, volto pro universo do “mas isto é assim por quê?”
Meu trabalho, minha expressão, meus princípios, minhas dúvidas, minhas inseguranças... Tudo está exposto! Tudo é transparente, e o que não é, uma hora será.

Nunca meu trabalho como diretor foi tão questionado. Por mim e pelos outros. Não questionado se é bom ou ruim, mas por que é assim ou assado? E quando se é intuitivo como sou, tudo fica ainda mais difícil...

Antes de entrar ao vivo a peça “Socorro”, todos ritualisticamente, gritavam “Merda, merda!”- Eu pensava “Merda, é meu inferno... Graças a Deus!”

segunda-feira, 1 de junho de 2009

SOM E FÚRIA .


Mais uma vez estou fazendo teatro.
Desta vez, diferente para mim, e para o próprio teatro.
Bom, é simples: teatro para alguém.
Projeto da minha amiga Renata Jesion, que falei alguns posts atrás. Projeto de teatro na web. Teatro virtual. Teatro áudio-visual. Enfim, algo difícil de explicar, mas bom de se ver.

Mas o fato é que a Renata e seu marido, o Kao, me chamaram para dirigir duas novas peças: Socorro, de Marta Góes, e a Segunda temporada de Corpo Estranho, de Lourenço Mutarelli.
Tudo é novo pra mim, o ritmo, o conceito, o jeito... Tudo gira em torno do ator... Da respiração... Do olhar... Da simplicidade... Incrivelmente diferente da grande tecnologia que sempre está envolvida no que faço. Minha caixinha de mágicas, não funciona aqui. A pulsação não depende mais da minha “pós” produção... Aliás, nada mais é “pós”... Tudo “é” naquele pequeno instante... Onde tudo é silêncio...

Parece óbvio... E é...
Simples, como poucas vezes fui.


* Socorro, estréia dia 10 ao vivo, darei mais detalhes...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O PREÇO DO MACACO E A VERGONHA PÚBLICA DE BOLSO.



O MICO ESTÁ NO AR!

“Bom... Eu não sou muito bom para falar.”
Comecei assim o meu discurso para tentar me esquivar. Foi em vão.

Quem me conhece sabe como sou cheio de reticências e não sou nada objetivo falando (escrevendo também). Minhas frases são longas e não necessariamente chegam a algum lugar. Tenho alguns amigos que se irritam com minha falta de conclusão. As frases são cheias de “daíííííí, foiiiii, aqueeeelee queeeee...”. Às vezes (não poucas) percebo a ansiedade das pessoas que me ouvem tentando descobrir, e agilizar o restante da frase, sugerindo palavras para acabar com a tortura das frases desconexas. Quando tem nome então... Melhor ter calma, pois levo um bom tempo pescando no poço seco da memória...

Eis que ao fazer o filme da FMU, não imaginei que iria me expor...
O pessoal do marketing da FMU está fazendo sua parte, colocando em todos os cantos o filme e sempre arrumando entrevistas e notas sobre o mesmo.
Muito bem... Marcaram uma entrevista num programa do Canal Ideal, e como o mundo é uma uva e dá muitas voltas, fui entrevistado por amigos que trabalham neste veículo de comunicação (olha o mico aumentando!).
O problema é que no fundo, eu acho que não deveria ser eu pra estar lá. Primeiro, o tema não era exatamente o filme (que eu fiz), mas a criação da campanha (que eu entrei em contato quando fui fazer o filme, sacou?). Até aí, tudo bem, agora imagina isso explicado por alguém que, além de não ter sido o criador da campanha, ainda fica divagaaaaando... Exteeeeenso... Aéééreo... Divertido, sem sombra de dúvidas...

Lógico que o preço disso tudo é o reconhecimento de um bom trabalho... Mas, tinha de ser assim... Em público?...
Ainda bem que o Canal Ideal da TVA, só eu e mais meia dúzia de pessoas têm...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

PIMENTA NO OFÍCIO DOS OUTROS É REFRESCO.

Ter um blog é a maneira mais sacana de falar dos outros sem se expor.
Apesar do clima “diário-de-menininha-digital”, falamos de tudo, menos de nós. Lógico que tem gente que se dedica a expor seu universo, diga-se de passagem, em alguns casos, de maneira brilhante.
Mas na grande maioria, os blogueiros se preservam. Lemos o que eles escrevem, mas sabemos pouco deles. Algo meio: faça o que eu falo, mas não me critique pelo o que eu faço...
Eu mesmo, falo muito de cinema e diretores dessa arte, e nunca mostrei o que faço.
Como ando constrangido com esta situação, vou por o meu ofício na roda...

Bom... Dirijo filmes publicitários entre outras coisinhas.
Acabou de entrar no ar um filme que eu fiz para FMU. Filme difícil, com finalização caprichada, com cinco dias de “inferno” na Casablanca. Tudo obviamente, sem prazo...
Está aí o resultado, mas não me peçam para criticá-lo, confesso, sou melhor fazendo isso com os outros...

SE É MEU AMIGO... TUDO BEM!


Que Arnaldo Jabor não gosta do PT, e é tucano desde criancinha tudo mundo sabe.
Mas ontem ao ouvir sua “resenha” matinal na CBN, fiquei espantado.

Com o mais novo escândalo de Brasília, fomos surpreendidos com a inclusão do nome de Fernando Gabeira na baixaria das passagens aéreas dos parlamentares (digo fomos, em nome de todos aqueles que um dia acreditaram na esquerda ou em uma possibilidade ecológica e humanitária).

Daí vem o ex-cineasta e “comentador” Jabor, defender seu amigo:
“Vocês acham que vou defender Gabeira por ser meu amigo. Sim, ele é meu amigo, mas venho defendê-lo pela sua história”.
Como é que é? Se o teu amigo errou com dinheiro público, mas tem uma história grandiosa, podemos abrandar? É isso? Ué!? Este sempre foi um ponto de suas críticas ao PT - Que a esquerda não podia viver de seu passado! Não é isso?
Aliás, não sei se por obsessão ou sei lá o quê, mas mesmo falando do erro do Gabeira, ele não perdeu tempo para dar mais uma espinafrada no partido de Lula. Ressuscitou o “assunto” Severino Cavalcante, que Lula o apoiava, mas Gabeira fez de tudo para derrubá-lo... Etc...

História por história, a Dilma, o José Dirceu, o Genoíno e o próprio Lula também têm. E isso, concordo contigo Jabor, não os isenta do que fazem de errado.
Porém estes do PT, não são seus amigos... Aí, é diferente...

Me frustra ver o Gabeira envolvido nisso, mas utilizar de um veículo de mídia para abrandar uma “mamata”, já é demais, né Jabor?

domingo, 5 de abril de 2009

ARTE, PODER E CRIME... ATÉ PARECE MENTIRA.


Dia primeiro de abril. Folha de São Paulo. Coluna de Mônica Bergamo...

Enquanto Zizi Possi desfila seu modelo comprado na Daslu, Dan Stulbach entre gravatas, ensaia seu texto para homenagear Henry Sobel.
O que é isso companheiro?
É Dias Gomes? Gabriel Garcia Marquez?
Ou mais uma piadinha?...


P.S. Moralismo? Bobagem... Só achei curioso como a corte se comporta...

sexta-feira, 27 de março de 2009

SONHO DE MISS.


Estes dias conheci uma Miss. Sim! Miss, aquela pessoa que sorri e acena como uma Barbie e sonha com a paz no mundo.
Esta Miss é diferente! Ela mesma advertia, e orgulhosa destacava que era classificada nos releases como: “A única Miss que prefere Paulo Coelho a Pequeno Príncipe”.

Não resisti... Tive de registrar o salto qualitativo de nossas Misses.

terça-feira, 24 de março de 2009

SEU TROCO SENHOR...


Todo de preto, passava pelos carros parados no farol.
“Aceite Jesus, irmão!”
A bíblia na mão justificava o texto.
Passou por mais outros carros oferecendo o profeta.
Surpreendentemente atravessou a rua. No canteiro se ajoelhou, olhou para o sol se pondo e deitou a testa no chão.
Olhei para a Patinha.
“Ofereceu Jesus e recebeu Maomé de troco”.
O farol abriu.

EISENSTEIN, VERMELHO E IMORAL.

ESTE POST É PARA FAZER JUSTIÇA COM QUEM INSPIROU O NOME DESTE HUMILDE BLOG.


Hoje em dia ser vermelho é fácil, é bonito.
Até o antigo PFL (imaginem vocês do partidão!) tem um nomezinho simpático: DEMOCRATAS. E o logo, você viu? É bonitinho: uma árvore. Sim uma árvore, numa alusão aos homônimos americanos. Onda verde, ecológica sabe? Hoje em dia arvorezinha verdinha, estrelinha e bandeira vermelhas são simpáticas. Mas houve um tempo, que se você não fosse russo nem chinês, e andava com camiseta do Che, a chapa esquentava para o seu lado (não é mesmo, pessoal da bancada peéfeélista?).

Eisenstein, cineasta dos primórdios, sujeito contrário ao que já era contrário.
Explico, era soviético e consagrado na união, fazia uma arte politizada condizente com a situação dos camaradas na época. Porém depois de discordâncias e desentendimentos com o partidão, foi dar uma volta ao mundo e parou no México. Que Viva México surgiu aí. Ah! Claro o “mundo” inclui passadinha em Hollywood. Imagina como era difícil para os camaradas de Moscou ver fotos do camarada Eisenstein abraçado e se divertindo com o amigo Chaplin, ou passeando pelas ruas yankees. Nada fácil!
E depois volta. Faz outro filme genial e se consagra definitivamente como um dos maiores artistas do século passado.
Definitivamente, é ser do contra com o que já é do contra.

Mas imoral, foi como ele nomeou sua autobiografia. Não, ele não destruía hotéis, não fazia orgias, nem transava com legumes. Imoral por ter tido uma vida sem moralidades, um camarada “amoral”.

Crédito dado, ufa! Em paz com o camarada...