sexta-feira, 20 de março de 2009

AMOR: COISINHA CLASSE MÉDIA.

CAIO FERNANDO ABREU EM VÁRIOS CONTOS SUGERE UMA MÚSICA A SER ESCUTADA ENQUANTO SE LÊ.
NESTE POST SUGIRO: STONES - MISS YOU.


- “A aristocracia é prazerosa. Amor é classe média”.

Eu ria, ria muito e me lembrei de uma foto do atorzinho-problema da rede Record que após sair do chilindró, passeia de mãozinha dada com a suposta nova namorada em um shopping.
Quer coisa mais cafona que amorzinho de shopping?

Amor e celular todo mundo tem um. Já houve um tempo que amar era muito difícil.
Aí está, Mick Jagger, fodão, no tempo em que amar era pra poucos.


terça-feira, 10 de março de 2009

O CINEMA NÃO MORREU... NUNCA ESTEVE VIVO.

Ontem, curiosamente, entrei numa discussão antiga... Muito antiga.
A importância do cinema como arte, e sua responsabilidade de apresentar culturalmente um país(!)... Era mais ou menos este o tema.
Bom... Obviamente que saímos sem uma conclusão. Até porque a “peleja” estava em torno do que era mais comercial e viável. Se um “Tropa de elite” tinha importância cultural ou não... A influência do entretenimento na arte... Enfim... Algo sem fim...
Eis que hoje eu apelo para um puta cara marginal. Cineasta que não gosta de cinema, contador de histórias que não gosta de narrativas... Peter Greenaway. O cara.
Gosto muito desse sujeito, sempre incluo na lista de filminhos prediletos alguma obra sua, mesmo ele não gostando dessa coisa chamada cinema...
Aqui uma entrevista, em São Paulo. Lugar pitoresco para se declarar a morte do cinema...

terça-feira, 3 de março de 2009

KUNG FU CUBANO.

Trabalho de conclusão de curso da EICTV.
Politicamente (in)correto, edição esperta, texto ótimo... Muito bom.

segunda-feira, 2 de março de 2009

NA COZINHA DA CASA AMARELA.



Sabe aquele cheirinho de bolo no forno invadindo a casa?
O som da batedeira, o calor da cozinha. E uma pessoa delicada e inspirada criando, experimentando, decorando, adoçando... Sabe?
Na cozinha da casa amarela é assim.http://nacozinhadacasaamarela.blogspot.com/
Entra lá, a cozinha está aberta.

ENCONTREI DUAS CADELAS IDÊNTICAS. OU DEI MAIS SORTE COM A BEATRIZ.


Um cruzamento. Em uma das esquinas uma faixa.
“AGRADEÇO A SANTO EXPEDITO A GRAÇA ALCANÇADA”.
Na esquina em frente outra faixa.
“ENCONTREI DUAS CADELAS IDÊNTICAS”.

O que é isso? Um cruzamento das graças e lamentações?
De imediato me veio a imagem de Décão e sua grande mão.
Décão, sujeito estabanado, ruivo de olhos vermelhos. Estudávamos juntos na adolescência.
Era um cara com pouca sorte com as mulheres. Coincidência ou não ele teve o infortúnio de repetir uma desagradável experiência com duas mulheres distintas. Como diria Tim Maia, elas “vacilaram”, e se entregaram, como posso dizer, aos encantos de terceiros.
Décão, bebendo, puto. Fumava, quase uma bituca, segurando com a ponta do indicador e o polegar (como se fosse um baseado) e pontuava sílaba por sílaba que falava com uma fúria, sacudindo e espalhando, cinza e brasa.
“As duas são I-DÊN-TI-CAS... não só as duas (me alertava). Todas. Todas são umas FI-LHAS-DA-PU-TA” (puta no singular, como se todas fossem filhas da mesma puta. Uma puta maior. Puta mitológica). Pobre Décão.

Eu sei que a pessoa da faixa “das cadelas”, se referia à animais domésticos. Mas é fato que queria se livrar delas.
De repente percebi uma cidade muito além da “cidade limpa”. Uma “cidade explícita”.
Além de anúncios, há uma necessidade de expor glórias e lamúrias.
Antes da “cidade limpa” havia uns outdoors na marginal Tietê. Cartazes enigmáticos em preto de cunho religioso.
“TV Satanás Jesus sangue poderoso Reino”. (Ah tá...). Eu não sei se o camarada não entendia nada de vírgula, preposição, artigo, estas coisas insignificantes da língua. Ou simplesmente nos presenteava com uma espécie de “biscoito da sorte evangélico”. Sem biscoito no caso.

Mediante esta necessidade humana de expressão. Deveríamos ter um espaço destinado a este fim. Seria uma TIMES SQUARE da verdadeira expressão popular.
Trago algumas sugestões para os textos:
“SANTO EXPEDITO, AINDA FALTA MUITO?”
(Para ansiosos, vendo outros tantos alcançando graças e este esperando demais).
“TELMINHA, NÃO ESQUEÇA MINHA JANTA.”
(Simplesmente recado).
“DÉCÃO, ELAS NÃO TE MERECIAM... NENHUMA.”
(Esta seria mais pessoal).
“CACHORRO, NÃO CONSIGO TE ESQUECER, VOLTE JÁ!”
(Dona retomando posse).

Mas eu queria mesmo completar a frase “das cadelas” homenageando Silvio Silva Júnior e Aldir Blanc, com uma frase complementar de "Amigo é pra essas coisas".
“ENCONTREI DUAS CADELAS IDÊNTICAS... DEI MAIS SORTE COM A BEATRIZ”.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

DOIS MINI-GÊNIOS E UMA SECRETÁRIA-ELETRÔNICA.


Youtube, Viral, Messenger, Orkut, SMS, TV digital, etc. etc.
Muito tempo antes de tudo isso, ouvi uma história- mais que uma história, diria um “Case” de comunicação.
Dois garotos de aproximadamente 12 ou 13 anos, no comecinho da década de 90, inventaram uma maneira de se comunicar e assim, uma nova mídia.

DOIS PUNHETEIROS E UMA SECRETARIA ELETRÔNICA.

Era assim mesmo que esta dupla se intitulava.
Eram primos. E como o tempo sobrava para eles, tiveram a idéia de criar um “seriado” para descontrair os amigos. Como não tinham onde veicular, sacaram que havia uma secretária-eletrônica, no escritório do pai de um deles, dando mole e pedindo para ser usada e abusada (diga-se, que o pobre pai era autônomo e a “secretária” fazia parte de suas ferramentas de trabalho).
Foi aí que criaram a série “Dois punheteiros e uma secretária-eletrônica”.
Quem ligava para esta casa, e ninguém atendia, tinha a incrível experiência de acompanhar um episódio da série. Eram aventuras semanais, que envolviam intrigas internacionais, seqüestros, bombas, fugas e obviamente muito sexo. Sempre no final a pobre secretária tinha de ceder, por bem ou por mal, aos encantos dos “dois punheteiros”. Alguns episódios a indignação “dela” era tanta, que participava amarrada a uma cadeira gritando o tempo todo, ainda mais quando era “seduzida” pelos heróis.

Eram visionários, e sempre atentos as novas mídias.
Como a avó, morava distante, a família tinha o hábito de filmar todos os eventos sazonais- festinha da escola, aniversário de todos os filhos e netos, natal, páscoa, etc.
Quando estas fitas ficavam prontas, eles eram responsáveis pelas cópias, daí os “dois punheteiros” presenteavam a vovó.
No meio de um “parabéns pra você”, entrava uma boneca Barbie transando com um cachorro de pelúcia; na melhor parte da apresentação de balé da irmãzinha, surgia uma transa espetacular de um urso de pelúcia com um meigo coelhinho rosa; sem contar as cenas de natal intercaladas com estudos de Kama Sutra, com os brinquedos novos (calouros) representando de maneira realística.

Não sei por onde andam estes, hoje, homens feitos.
Espero que estejam bem. E que a responsabilidade da vida adulta não tenha endurecido suas mentes criativas e inovadoras.
Que Alá os proteja, onde quer que estejam.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

CORAÇÃO TÃO BRANCO – GNARLS BARKLEY

Sabe como são as associações livres que nossa mente faz...
É como se dentro de nossa cabeça tivesse uma TV a cabo num zaping constante, numa espécie de slide show (boa idéia hein!? Um controle remoto de TV com uma tecla funcional “slide show”. Nós “Homer’s”, teríamos uma preocupação a menos, na nossa vida inútil de sofá).
Enfim, parei o zaping mental no clipe do Gnarls Barkley (Who's Gonna Save My Soul Now?).
Livremente associado ao livro. Mas é um outro coração...
O coração aqui, sangra, sofre e canta...
Um bom clipe...

*ah! e vem com legenda para voçê treinar o seu espanhol...

CORAÇÃO TÃO BRANCO – JAVIER MARÍAS


Este livro começa assim:
Minhas mãos são de tua cor; mas me envergonha trazer um coração tão branco.
Shakespeare.
E segue assim: bom.

Ao Lê-lo, confesso, me sinto envergonhado de escrever qualquer coisa. De recadinhos a roteiros. De listinha de compra para o mercado a blog...

Tudo bem... Escrevo mesmo assim...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

MALDITO ROBERTO!!!


Xico Sá, cabra bom, escrivinhador de primeira, humor cafajeste, texto sempre criativo e divertido. Nestes dias ele contou uma historia no mínimo curiosa no seu blog http://carapuceiro.zip.net/.

O caso da mulher amaldiçoada por Roberto Carlos. Sim, o Rei!
Depois de receber uma flor do próprio cantor (sabe aquele ritual que ele beija a flor e manda para as fãs?), sua vida desandou.
Marido morreu. Nunca mais arrumou namorado, amante, ficante, passeio na esquina... Nada! Mesmo sendo uma mulher bonita e interessante.
Ela acredita que tudo isso ocorreu pelas inúmeras manias que o Rei tem. E toda a zica ele joga nas flores. Deixando a urucubaca para as pobrezinhas.

Bom, o texto do Xico Sá, por questões óbvias, é muito melhor, e mais divertido que o meu, por isso recomendo ler o original.

Mas retomo o assunto por mais um desses “causos” com o Rei.
Um tempinho atrás estava escrevendo um roteiro com um amigo sobre uma história verídica (mais com cara de lenda urbana), sobre um casal que é convidado misteriosamente a ir ao show do Rei. Quando voltam, não existe mais nada na casa, nem o carro. Tudo foi roubado, saqueado.
Que coisa hein?

Nunca concluímos o roteiro.
Este roteiro, diga-se de passagem, já teria vindo de um outro diretor que também não conseguiu terminá-lo.
Eu hein? Sai pra lá ziquizera!
De agora em diante só me refiro a este cantor como “aquele-cantor-popular-que-não-se-deve-brincar-nem-pronunciar-seu-nome”.

Tomara que meu cabo do computador aguente mais essa...
Minha Santa Ifigênia, proteja-me...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

SANTA IFIGÊNIA ROGOU. AQUI ESTOU.


Imagine uma situação. Um apagão particular. Sim foi o que me ocorreu.
Estive ausente por um simples cabo de fonte do meu computador. Não sei se pelo calor dos trópicos ou pela minha displicência (esta pode ser a verdadeira causa), mas o fato é que este cabo insignificante (pensava eu) se rompeu de sua fonte.

Simples de se resolver, pensei.
Pois é... Estas coisas são muito mais importantes do se imagina...
Só quando encontrei a Santa Ifigênia, que tudo se iluminou.

Na Aurora, encontrei a Casa das fontes.
Obrigado minha Santinha por me trazer de volta.

domingo, 18 de janeiro de 2009

MÚSICA DE TRAVESTI PARA UMA CIDADE INFELIZ.


Moro numa cidade feia, suja e insalubre.
Mas tudo bem, não tenho nenhum rancor por ela ser assim. Sou tão enraizado, nesta cidade, que não consigo me imaginar morando em outro lugar. Gosto, e vivo bem em São Paulo.
Sua beleza é subjetiva. Quem vive aqui, aprende a garimpar as suas bonitezas.

Na semana passada, eu tinha um comercial para rodar numa locação próxima à estação do Brás do metrô. Daí, resolvi ser “verde” e fui a pé. Deixei o carro em casa, ganhei créditos de carbono e segui andando, ouvindo música com mochila nas costas. Me senti como um verdadeiro “homem-moderno-urbano-consciente-do-futuro”.

Porém, o Brás é horrível. Horrível para todos os nossos cinco sentidos. O som, a cor, o cheiro, as pessoas se esbarram. Tudo, tudo é caótico.
Enquanto eu andava pela Rangel Pestana, curiosamente, no meu tocadorzinho de música eu ouvia a versão de "La Vie en Rose" da Grace Jones. Achei divertida a ironia, que de tão paradoxal foi perfeito. Algo delicado e decadente ao mesmo tempo.

Sempre que eu ouço Grace Jones, imagino que suas músicas deveriam fazer parte de um repertório de algum show cafona-performático-transformista, algo meio Almodóvar.

Se você é ou pretende ser um artista transformista, sugiro incluir esta música no seu repertório quando for fazer um showzinho, num inferninho qualquer da cidade.
Se foi bom para o Brás... Pode ser bom para toda cidade.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

MICKEY ROURKE, SUOR E CERVEJA.


Tem uma frase de Nelson Rodrigues, que cabe bem para este sujeito...
“Eu... Que sou o marginal da própria glória”.

Taí... Mickey Rourke, o marginal no seu momento de glória.
Premiado e reconhecido.
Mais uma vez com muita porrada e empenho, brilhou o grande ator.

Apesar de sua popularidade com o épico-erótico-yuppie “9 semanas e meia de amor”, sempre se manteve na clandestinidade. Clandestino, talvez seja uma boa definição para este senhor. Digamos, que talvez seja sua essência.
Envolvido com diretores inovadores, e projetos desafiadores, correu muitos riscos, indo do genial ao asqueroso, do sublime ao ridículo.
Apesar dos fracassos e equívocos, dois de seus filmes, para mim, foram fundamentais para a escolha do ofício que eu exerço hoje. São eles “Rumble fish” e “Bar Fly”. Lógico que estes projetos vieram de mentes e esforços de pessoas como o diretor Coppola no primeiro, e do escritor Bukowski no segundo. Mas é inegável seu carisma e talento para o sucesso desses filmes (entenda sucesso como uma boa realização, não necessariamente retorno comercial. Estamos falando de cinema, não de sabão em pó).
Brigando como peixe ou bebendo como mosca... Vale a dose...
Saúde...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

FREE, FREE MIKE TYSON, FREE. O MARGINAL E IMORAL DO MÊS.



Sabe como é natal... A gente bebe, encontra os familiares... Lembra de coisas... Fala mal dos outros... Come peru... Bebe sangria... Bebe cerveja, prosecco... Etc.
Meu irmão, que tem memória afiada (tanto RAM quanto HD), de maneira nostálgica nos lembrou de Mike Tyson e suas lutas minúsculas, que duravam poucos segundos. Esperávamos ansiosos por suas lutas, uma expectativa de semanas, que com meia dúzia de catiripapos, tudo acabava.

A “noite feliz” seguiu, e como eu estava alternando sangria com cerveja, me bateu uma melancolia (ou pileque, como quiser).
Enquanto tocava a musiquinha de harpa, numa interpretação esplendorosa de “Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel” pensei:
“Pô, ninguém vai brindar o Mike Tyson?”

MIKE TYSON, O MARGINAL E IMORAL DE JANEIRO.

Resolvi reverenciá-lo. E todo mês nomearei um autêntico “marginal e imoral”. Lembrando que isto não é nenhuma apologia ao crime. Não, nada disso. Quando falo marginal, falo do que está à margem, do que não está em evidencia ou é óbvio. E imoral, por não ter moral de história nenhuma. Amoral... Simplesmente. (espero não ter de explicar isto de novo!)

Em 2005, depois de meter a mão num cinegrafista numa boate aqui em São Paulo, Tyson concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo, que considero incrível. Uma entrevista que talvez nem o próprio jornal tenha dado tamanha importância.
Mas como pugilista que é, estabeleceu estratégia: se esquivou, golpeou, estudou o adversário (o jornalista Eduardo Ohata), e estabeleceu o jogo. Falou da prisão, período de masturbação e leitura. Falou de astrologia, é canceriano como eu. Falou de Filhos. Imperador japonês. Homossexualismo. E lógico, bordoadas, porradas e surras.
Mas no final, nocauteado, chorou.
Com os olhos vermelhos olhou para o adversário e disse: “... E se você disser algo disso para alguém, mato você da próxima vez que o encontrar.”

Tyson, prostrado... À margem... Que no final, chora...

Segue a entrevista na íntegra:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u95350.shtml

sábado, 3 de janeiro de 2009

Dia de rei no dia primeiro. Com Mascarpone e Amoras.


Nunca entendi o real significado do réveillon.
Uma noite cheia de superstições e crenças sem pé nem cabeça. Tudo o que você venha a fazer na virada do ano pode ser decisivo para o seu ano. Se comer isso você será aquilo, se vestir azul – dinheiro, se vestir amarelo – amor, e assim seguem uma infinidade de mandingas para o ano ser bom. Porém todos passam, bebendo muito, comendo demais, fazendo e falando algumas merdas. Pela lógica seremos gordos, alcoólatras e insuportáveis no próximo ano.

URUCUBACA À PARTE, O MEU RÉVEILLON FOI DE REI.
A fada... Patinha, nos proporcionou delicadeza e bom gosto para o nosso próximo ano.
Imagine. Uma torta. Uma fava de baunilha num creme de mascarpone, repleto de morangos e amoras.
Suavidade... Leveza... Como 2009 de todos deveria ser.
O que mais posso desejar?...
Como rei, neste dia... Já tive tudo...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

EU SEI QUE EU TENHO UM JEITO MEIO ESTÚPIDO DE SER...

-... Bom... Eu estou preocupado com isso.
Ao ver que eu estava achando exagerada sua frase, e que já estava esboçando um sorrisinho, ele emendou:
-... É... Nada tão preocupante quanto minha estupidez.

Rimos. Rimos muito, pois era evidente que de estúpido, ele não tinha nada.
Eu o abracei, o beijei enquanto riamos. Quase saiu alguma frase carinhosa, porém achei que seria muito óbvio e cafona...
... Afinal, era Natal...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A incrível possibilidade de ser o padeiro.


Sim o padeiro aí em cima sou eu.
Depois de elogiar minha amiga Renata no Post abaixo: “amigo oculto”, fui convidado para fazer uma “ponta” num dos episódios de “corpo estranho” no www.teatroparaalguem.com.br.
Este episódio será o terceiro da série e estará disponível a partir de hoje às 22:00 HS.
Agora todos entenderão porque eu deixei de ser ator. Neste caso além de ficar claro o quanto sou canastrão, ainda por cima estou de bigode.
Sim, canastra de bigode. Não perca.

Presidente negro à moda da casa.


A pouco foi relançado o livro “Presidente Negro” de Monteiro Lobato, de 1926.
A pouco Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos.
Lógico que toda a mídia se atentou ao fato de o livro falar de uma hipotética eleição americana, onde um negro disputa com uma mulher a vaga na Casa Branca.
Bom... Jornais, revistas, programas de TV se impressionaram com a possível “profecia” de Monteiro Lobato - pois algo parecido já havia ocorrido, com sua personagem Emilia, em relação ao petróleo. A boneca de pano insistia na existência do ouro negro no nosso território, muito antes da existência da Petrobras e de suas descobertas, incluindo a mais recente e estrondosa, a da baía de Santos.
Muito bonito profético e tal.
Mas pouco se falou do conteúdo desde livro. Baseado em teorias como da eugenia, onde a hegemonia da raça branca é defendida.
E obviamente racista, considerando homens e mulheres inferiores a supremacia branca.
Nesta época muitos intelectuais se identificavam com estas teorias, uma por serem evidentemente brancos, e acreditarem realmente em sua superioridade em relação aos demais seres. Tanto que este livro se tornou um cartão de visita para Monteiro Lobato. Este tipo de conceito era uma espécie de “moda intelectual” da época. Vide a merda que deu alguns anos depois na Alemanha.
Algo parecido ocorre com o célebre filme de D. W. Griffith de 1912 “O Nascimento de Uma Nação”. Filme revolucionário em termos de linguagem e narrativa. Estórias paralelas, planos detalhes, começo, meio e fim. Tudo isso surgiu com este filme. Em termos estruturais os filmes de hoje mudaram pouco, basicamente Griffith inventou o cinema que nós assistimos até hoje (aliás, está na hora de mudar não é?). O filme tem como enredo a guerra civil americana e a ascensão política dos negros. Os negros são retratados horrorosamente e odiosamente, como bêbados, vagabundos, preguiçosos, arruaceiros, exatamente como poderia dizer “à moda da época”.
Puxa que bom que esta moda passou! Será?
Alguns anos atrás, no horário mais nobre dos domingos na televisão, riamos de um negro bêbado e vagabundo, que na maioria das vezes era humilhado por seus colegas pela sua raça. Era um programa para toda a família, os adultos e principalmente as crianças adoravam. Era um programa da “moda”.
Hoje a moda é outra. Até quando não sei. Mas o que mais me incomoda é saber que nossa aceitação e tolerância dependem do quanto às pessoas que detém a informação, também são tolerantes e aceitadoras de diferenças.


P.S.:
Uma declaração do nosso “sutil” presidente Lula, quando perguntado sobre Obama:
“Se Obama fracassar, a frustração será tão grande, que serão necessários muitos séculos para que um negro seja de novo eleito presidente dos Estados Unidos".
Que bonito Lula, por que você não disse: “Vamos ver o que este negro vai fazer”?
Não podemos esquecer o que mais se falava no nosso país quando Lula foi eleito:
“Vamos ver o que este nordestino, analfabeto e operário vai fazer”.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Fuga Psicogênica – David Lynch, O.J. Simpson e Second Life.



Cada vez mais fica evidente minha “quedinha” por patologias mentais ou psíquicas. Com nomes esquisitos então... Acho ainda mais divertido.
Esta última surgiu quando estava lendo “Em águas profundas” de David Lynch. Sim, aquele diretor cabeçudo que todos adoram, mas ninguém entende picas dos seus filmes. Formam-se rodinhas de outros tantos cabeçudos na frente do Espaço Unibanco para discutir e encontrar uma luzinha de compreensão de sua obra. Pois é, o curioso é que David Lynch sempre se colocou como um artista abstrato, como um pintor, ofício no qual ele confirma ter exercido antes de ser cineasta, e todos mesmo sabendo disso buscam uma compreensão racional, lógica.
Tudo isso é sensorial, intuitivo, entendeu?

Então, enquanto criava o roteiro para Lost Highway, ele andava encafifado com o caso O.J.Simpson. “Como alguém que fez o que fez, anda por aí sorrindo, jogando golfe?”
Eis que descobre o termo psicológico fenomenal – FUGA PSICOGÊNICA – Uau!
A fuga psicogênica é o evento no qual a mente se ilude para escapar do horror...
Gostei, é mais ou menos como um Second Life, só que de verdade, ou somente na cabeça do indivíduo, sei lá... Mas, uma realidade paralela que a mente cria, e onde os fatos se tornariam mais suportáveis, é realmente muito interessante.
Ontem à noite fui desafiado a entregar um projeto de um curta. Esta idéia de uma vida paralela tem me atraído bastante... Quem sabe?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

GÊNESES DE UMA SOCIEDADE - OPERETA FARSESCA


ATO 1
Acendem-se luzes gradativamente. Cenário de uma churrascaria burlesca.
Música Polca-cigana animada.

(Uma grande mesa ao fundo com toda a família reunida, cantando, dando risadas histéricas, pratos se quebrando).

Na mesa.

PARENTE DISTANTE: Ora, ora! Que bom que vocês vieram, queridos primos.
CIDADÃO:... É... Viemos dar uma passadinha...
ESPOSA: É só uma passadinha, pois estou de dieta.
GARÇOM: Picanha senhor? Picanha senhora?
CIDADÃO: Obrigado.

Música “polca” fica ainda mais animada.

PARENTE DISTANTE: Primo, você resolveu, aquele probleminha, com a TV à cabo.
CIDADÃO: (sem jeito) Não, não é problema não, eu simplesmente estou sem grana agora, mas logo vou colocar.
PARENTE DISTANTE: (confidenciando) Então rapaz... Eu descobri um jeito de fazer um gato...
CIDADÃO: Gato?
GARÇOM: Coelho senhor?
PARENTE DISTANTE: ...Então, eu fiz um esquema com o instalador. Pedi a ele que só instalasse a internet. Daí, DISCRETAMENTE, mostrei-lhe um bocadinho de dinheiro e perguntei se era possível colocar, quem sabe, nesta pequeninha televisão... Alguns canais a mais... HÁ-HÁ-HÁ, quem sabe... Tipo todos os canais possíveis existentes...

Risos da família.

CIDADÃO: ...E???
GARÇOM: Lingüiça senhor?
PARENTE DISTANTE: ...E... E... (quase histérico)... Ele fez!

Aplausos da família.

PARENTE DISTANTE: Agora tenho 597 canais. 97 de esportes e mais 39 de conteúdo, como posso dizer... Ah! Adulto.
GARÇOM: Maminha senhor?

Apagam-se as luzes e acendem logo em seguida. Dando a sensação de passagem de tempo.


PARENTE DISTANTE: (Em tom cerimonioso) Queridos parentes e amigos. Como todos sabem, a muito tempo eu sou assessor de um grande deputado estadual. Homem honesto de um partido só de trabalhadores...

GARÇOM: Tucano senhor?
CIDADÃO: Tucano? Vocês servem tucano? Isso é legal?
GARÇOM: (Com desdém) Se é legal? É DÍ-VI-NO!

PARENTE DISTANTE: (Pigarreando, chamando a atenção para si)... Continuando, e como adquiri experiência nestes anos todos, tanto na política, como no exercício da advocacia, acredito ser um bom momento para me lançar como candidato a vereador...

FAMÍLIA EM CORO: BRAVO! BRAVO!

Apagam-se as luzes. Acendem primeiro com foco no casal, e depois gradativamente para todo o cenário.

CIDADÃO: (Olhando para esposa) Vamos pedir a conta e vamos embora?
ESPOSA: Vamos, antes que fique ainda mais indigesto.
CIDADÃO: (Tirando a carteira do bolso, procurando com o olhar o garçom).
PARENTE DISTANTE: (No mesmo instante, ergue o braço) Garçom, por favor, a conta. Queridos, faço questão de pagar para todos vocês, (ao olhar a carteira na mão do cidadão)... Mas se o primo faz questão de pagar... (falando ao seu ouvido) pague somente sua parte, pois tenho de conquistar os restantes. Obrigado pela sua presença e colaboração...


FAMÍLIA EM CORO: BRAVO! BRAVÍSSIMO!

Música Polca chega ao seu clímax.
Luzes se apagam.

EXCETO A OPERETA E A FARSA, TUDO ISSO ACONTECEU.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

CRIME E CASTIGO - A OBRA.

Estou lendo esta obra, que é uma síntese dramatúrgica e psicológica dos enredos criminais.
Obscuro, mental, nevrálgico... como Dostoiévski.

Esta foto é da Sibéria, onde eu passei por cima, e Dostoiévski cumpriu pena por baixo.

CRIME E CASTIGO - A CONSTATAÇÃO.

Três processos judiciais seguidos, ela acompanhou de perto.
Pendências antigas. Crimes leves, corriqueiros, muito comuns na nossa sociedade.
Questões trabalhistas, etc.
O curioso são as cifras. Todos estes processos envolviam dinheiro, e todos os articuladores, no caso os advogados, deixavam claro os seus interesses, antiéticos, em abraçar as causas pelo montante que resultariam no final dos processos.
A causa? A justiça? Depende de quanto.
Chegavam a ser repugnantes, patéticos, animais se alimentando de carniças.
Justiça. Somente enquanto houver interesse(s)...

PRELÚDIO.


Allegro... Nada Moderato...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Para quem tiver dez minutos... Muita luz e WONG KAR WAI.

Cassio. Amigo e sócio de muito tempo.
Sócios. Pois ainda dividimos idéias, gostos e amigos.
Numa postagem anterior ele comentou sobre os filmes dos perfumes Kenzo, que lembravam Wong Kar Wai. Então, como o tema era publicidade... Nada como um belo filme deste diretor que eu e alguns bons amigos admiramos.
Ah! Vale assistir este comercial comendo pipoca.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

UM DIA APÓS O GATO. OU A ULTIMA LIÇÃO EM SETE ANOS.


Acordei com o gato morrendo.
Desenganados, já sabíamos que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria.
A vida é muito simples... Uma hora é... Na outra não se sabe...
Quieto, ofegante e recluso. Elegante até mesmo para morrer.
Pulsação moderada, espasmos, olhar distante... Silêncio... E fim...


Janelas abertas para entrar o dia...
E o domingo seguiu... E a vida seguiu... Pelas janelas... Por nós...
Viver é assim, às vezes dói... Dói... E passa...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

AMIGO OCULTO.

Fui ator. Engraçado isso. Parece uma outra vida que eu tive.
Trabalhei com pessoas geniais, pessoas estúpidas, pessoas esforçadas, inteligentes, arrogantes, amorosas, sem o menor talento, com a maior elegância, funcionários, de direita, nuas, gostosas, sujos, brilhantes, bonitas, mal amadas, socialistas, Hamlet's, Medéias, anônimos na sua maioria...

1994. Larguei tudo e mudei o rumo, o prumo.
Foi difícil constatar que eu era medíocre, um atorzinho bonitinho quase sem brilho.
Mantive poucos amigos, talvez pela minha falta de habilidade, uma certa timidez talvez... Não sei.
Cada vez mais ficava distante de meus antigos colegas... Um fantasma na sala sem interação... Eu sabendo menos deles e eles muito menos de mim.
Para alguns ficou um carinho inexplicável, para outros uma amizade silenciosa.
Renata Jesion atriz, cheia de qualidades, luz incrível. Cuidadosa, com domínio sobre a carreira, com convicção nas ações. Criadora e realizadora.
Sim somos amigos, mas eu fantasma... Sei pouco dela... Ela sabe pouco de mim. E ao mesmo tempo somos muito íntimos... vai entender... Não é uma queixa, somos assim desde 1994. Sou assim um admirador, um amigo oculto. Presente... Mas oculto.

Ontem à noite, vi estrear seu novo projeto. Inovador único. Projeto virtual, tocante vibrante. “Teatro para alguém”. Sendo simplista, um teatro virtual dentro de um site, porém vai além... Só vendo www.teatroparaalguem.com.br.
Pessoas ótimas envolvidas. Texto, conceito, elenco... E uma casa linda onde mora, aberta para todos... Para alguém...

Sempre odiei esta expressão, mas... Merda! Muita merda queridos amigos...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Na cabeça de Delmir.



- e aí cara, quanto tempo?
-...

Nada me respondeu. Delmir simplesmente olhou para mim balbuciou alguma coisa que não entendi. Estava muito mais atento às pessoas que estavam com ele. Eram guardadores de carro que me abordaram assim que estacionei ao lado da padaria. Delmir estava com eles, ou não, não sei. Mas que porra que o Delmir estava fazendo com os flanelinhas?
Insisti.
- quanto tempo hein?
-... É.
Pensei. Merda, será que foi a porra do martelo?

Delmir, seu nome é Delmir, que já era bastante diferente dos nossos nomes de classe média. Nomes que eram moda na década de 70: Fabio, Paulinho, Beto, André, Marcelo, Ricardo, Rafael, Frederico, Daniel. Talvez fosse uma homenagem a algum avô, tio, pai, sei lá.
Mas além do nome, ele era completamente destoante de nós. Era o mais inteligente, o mais esperto, humor ligeiro, ácido e doce ao mesmo tempo. Não era bonito, não era esportista, não tinha meninas atrás dele, era um tipo reservado, acanhado. Pela maioria das pessoas era tido como um perdedor, o cara que ninguém queria perto. Seus gostos sempre foram insultantes, sua atitude desafiadora. Para nós, um pequeno grupo de adolescentes com aspirações revolucionárias de bairro classe média, tinha nele, uma admiração de conduta, era tudo o que nem sonhávamos, poder ser. Era avesso, oblíquo.

Bebemos, fumamos, sorrimos e choramos, algumas várias vezes. Éramos um grupo de cinco adolescentes. Sabíamos pouco das coisas, pouco de nós mesmo, e muito menos de Delmir.
Não sei se morava com o pai ou padrasto, vi seus irmãos algumas vezes, sua casa nunca tinha certeza se era a 173 casa branca com portão baixo, ou se era 176 casa amarela de muro alto. Não era mistério, nem displicência nossa, simplesmente não importava.
Sabíamos de uma certa dificuldade de relacionamento que ele tinha com a sua família. O pai ou padrasto, cara difícil, sisudo, violento, castrador. A mãe, omissa, desajeitada, ignorante, sorridente. Sua irmã? Não sei, só sei que tem uma irmã e um irmão.

O tempo e a vida seguiram. Crescemos, namoramos, trabalhamos. De repente não éramos mais próximos, não nos víamos mais, não nos falávamos mais, não éramos mais o que um dia fomos.
O mundo para mim já era outra coisa, quando começou um boato sobre Delmir. Numa discussão familiar, seu pai ou padrasto, bêbado teria dado algumas marteladas em sua cabeça e o expulsado de casa.
Marteladas? Martelo, aquela ferramenta para pregar, esmagar? Na cabeça de Delmir? Não acredito. Bairrozinho de merda, fofoqueiros...

Mais de uma década sem ver Delmir. Paro o carro para comprar pão antes de visitar minha mãe. Lá está Delmir. Roupas sujas, cabelo longo sem corte, andar com dificuldade, sem sorrir, sem falar direito.

- Caralho Delmir, você não está me reconhecendo?
Desviou o olhar dos seus amigos guardadores de carros, e os fixou em mim.
- Tô... Mas não importa.
Saiu. Realmente sem se importar...

Às vezes o vejo andando pela rua, dando voltas intermináveis no quarteirão, muitas vezes com a mesma roupa de vários dias...

Daquela vida, daquele tempo... Nada mais importa...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

KENZO, PERFUME E LUZ....

Já são velhos este filmes... Mas não estou aqui para mostrar novidades...


terça-feira, 18 de novembro de 2008

Uma foto e um lago. Uma infância.

Uma imagem recorrente na minha cabeça.
Eu, com seis anos. Vestido com roupas leves para se fazer uma prova de corrida na rua, com um número pendurado no peito. Boiando num lago de águas calmas. Mexo meus braços e observo o sol. Tem música. Longe, longe, suave.
Esta idade, esta roupa e este lago nunca existiram na mesma época. Misturei tudo numa espécie de síntese de um instante de infância.
As roupas? Mal lembro o evento. Me recordo por fotos. Era uma corrida de rua de poucos quilômetros, voltada para crianças e adolescentes. Eu devia ter aproximadamente uns dez anos. Camiseta regata bege, shorts vermelho. Tudo isso esta na foto da largada. Minha mãe fotografou instantes antes de eu me aventurar e disputar com outras crianças. É simples, eu sorrio quase tímido, quase esnobe. Abro meus braços numa pose quase vitoriosa.
Não venci e nem perdi, cheguei.

Eu tinha uma expectativa muito grande em fazer seis anos, pois havia uma promessa da turma do meu irmão mais velho, que eu seria admitido pelo grupo das pessoas mais legais do mundo (da minha rua) assim que fizesse seis anos. Pois é, nem preciso dizer que não fui aceito no clubinho. Mas não deixou de ser significativa aquela data... A festa, o bolo, os presentes eram quase pequenos perante aquela “maturidade” que estava alcançando...

Dois anos depois, meus pais, levaram todas as crianças da rua a um lindo parque. Estavam os caras mais legais do mundo, e eu. E um lago. Pensei: demorou para eu fazer seis anos!

Por que misturei tudo? Não sei... Momentos de superação e crescimento... Talvez... Analítico demais. Vai entender cabeça de criança...

MACACOS E MULHERES...

MONGA.
UM INSTANTE NEURASTÊNICO DE UMA MULHER E SEU MACACO INTERIOR.




Estou escrevendo sob encomenda uma versão meio “monga begins”...
Este título é provisório,porém me gusta...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Recomendo... porém,cuidado.




“A palavra escrita, é literalmente, um vírus, uma forma maligna e letal.
A crença de que algumas palavras e combinações de palavras podem produzir doenças e perturbações mentais graves é partilhada não apenas no campo da magia mas também no campo da psicolingüística e da pragmática. O efeito chamado perlocutivo é o efeito somático provocado pela proferição (elocução) da palavra que tem uma força (ilocucionária) particular”.

José Augusto Mourão, prefácio à edição portuguesa de Eletronic revolution, de Willian Burroughs.

...(ou seja, a citação da citação!)

...Estou entre eles...


...Ah! a continuidade...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Uma tristeza escondida, e o Sol lá fora.


Nos despedíamos, não de um lugar, mas de um tempo.
Enquanto o Ettore descobria o mar... A coisa mais bonita de um dia, de uma vida: seu sorriso.
Como se fosse eu, como se fosse meu pai, como se fosse todos nós... Num breve momento da história desse lugar.
À noite encontrei uma anotação que fiz em outro tempo. Nunca fez sentido antes. Algo como se eu enviasse uma mensagem numa garrafa para mim mesmo agora, era um texto incompleto sobre plenitude, e terminava assim:

“... Toda beleza de novo em casa...
Todo o céu do Brasil. O sol em todos nós.
Numa alegria sem idade...
Na rua onde morei...”

... Aos meus pais.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

a informação e o vagabundo...

Além de vira-lata, título que resigno não só à mim, mas a imensa maioria que consome, e acredita numa informação fundamentada em nada, simplesmente em sobras e restos de fontes, ainda por cima, muitas vezes duvidosa. Declaro ao mundo: Sou vagabundo.
Sim... sou realmente o que pode se chamar de vagabundo, não um simples vagabundo, no sentido vulgar, até porque trabalho muito. Mas um vagabundo mental, um Macunaíma emocional... “deixar para depois” é muito comum na minha vida. Já me culpei bastante por isso, também já levei alguma vantagem com este mal. Varias louças (que eu sujei) já foram lavadas por pessoas que eu amo. Quer gesto mais bonito que lavar a louça de quem se ama? Muito mais bonito que lavar os pés de alguém, ou no mínimo mais útil. Quem lavou os pratos da santa ceia? Este sim é santo.
Porém nunca fiz mal a ninguém com minha preguiça, nunca ganhei dinheiro encima de alguém ou alguma situação (só faltava ser preguiçoso e ainda ganhar dinheiro!). Mas a vida vai muito além de louças e problemas domésticos, aliás infelizmente, muitas pessoas se casam para resolvê-los (não é o meu caso).
Tem um bláblá auto-ajuda(aliás, taí um reino de "meia-informação"), onde empresários com culpa por não terem dado atenção aos seus filhos pregam a necessidade do ócio, o tal do ócio criativo (muito engraçado!), sempre me baseie, nessa safada teoria(que óbviamente nunca procurei saber realmente do que se tratava), no começo me servi da "teoria" inconscientemente e depois, como vagabundo sem-vergonha que sou, virei preguiçoso fundamentado. Já entrei em discussões me posicionando como um fundamentalista. Um vagabundo fundamental.
Claro que a vida não iria me deixar no sofá. O incomodo e as dores nas costas chegaram. E aqui estou num esforço para não tornar este blog num “natimorto”. Correndo o risco do ridículo e da exposição pública, me mostrando para toda a humanidade. É bem verdade que quase ninguém sabe deste blog, é algo como sair pelado na rua... mas às 4 da manhã num bairro residencial (quase infantil, porém seguro).
Mas é isso, sinto desapontar, se alguém por um acaso pensou em seguir este blog(há seguidores para tudo), sim este blog só serve para eu aprender a lavar a louça, sair do sofá e constatar que um mundo de informações incompletas só nos faz deixar onde estavamos.


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

um blog vira-lata...


Patinha,

Olhou para mim, com uma cara surpresa e interrogativa.

“Legal. Mas do que é o blog?”

Boa pergunta. Blog do quê?

Inclassificável, pensei. Sem pedigree, simplesmente vira-lata.

Sem direção ou objetivo, fuçando em tudo, se alimentando, basicamente, de sobras.

Depois analisou e falou.

“parece outra pessoa.”

Talvez a brincadeira seja esta. Brincar de ser o que poderia, ou gostaria... ser.

Descompromissado, vira-lata mesmo. Sem muita identidade.

“Divertido”. Me olhou com seu rosto doce.

Doce...

Já falei de seus doces?